A assembleia convocada para eleger a comissão eleitoral responsável pelo processo de criação da 7ª Regional do Sindsaúde/RN, realizada na manhã desta quarta-feira (03), em Currais Novos, foi marcada por fortes divergências, acusações de atropelo do debate e reclamações sobre a condução dos trabalhos. Durante o encontro, lideranças sindicais e trabalhadores contrários à criação imediata da nova regional defenderam o adiamento da decisão e a realização de uma ampla discussão com a base.
Entre os principais argumentos apresentados pelos opositores esteve a crítica à forma como o processo foi conduzido pela direção estadual do Sindsaúde/RN. Segundo os participantes, a iniciativa foi tomada sem diálogo prévio com a Coordenação Regional do Seridó, eleita há dois anos com mais de 70% dos votos e que ainda possui um ano de mandato. Os críticos afirmaram que a proposta de divisão da regional foi apresentada sem construção coletiva e sem consulta aos 25 municípios que atualmente integram a Regional do Seridó.
De acordo com os trabalhadores que se manifestaram durante a assembleia, a publicação do edital ocorreu com pouco tempo para mobilização e debate junto à categoria. Eles defenderam que uma decisão dessa magnitude deveria ser precedida por reuniões e consultas nas bases sindicais, permitindo que os servidores pudessem avaliar os impactos administrativos, financeiros, políticos e jurídicos da criação de uma nova estrutura regional.
Alguns dirigentes classificaram o processo como precipitado e afirmaram que o tema deveria ser discutido durante o encontro regional proposto para acontecer dia 3 de julho. A proposta apresentada por esse grupo era que não houvesse, naquele momento, a criação da comissão eleitoral. Em vez disso, defendiam a realização de um amplo Encontro Regional para que os trabalhadores(as) decidissem democraticamente se desejavam ou não a criação da nova regional.

Entre as preocupações levantadas pelos opositores estavam possíveis impactos sobre a estrutura já consolidada da Regional do Seridó há 32 anos e sediada em Caicó, que atualmente conta com ampla sede, assessoria jurídica permanente e serviços voltados aos filiados(as). Também foi questionada a ausência de estudos prévios sobre os efeitos administrativos e financeiros da divisão da regional sindical.
Já os defensores da proposta alegaram que a criação da 7ª Regional aproximaria os serviços sindicais dos trabalhadores da região de Currais Novos e ampliaria a presença do sindicato em municípios mais distantes de Caicó. Para esse grupo, a nova regional representaria maior acesso da base às atividades sindicais e fortaleceria a organização dos trabalhadores na região do Seridó Oriental.
A médica pediatra e uma das fundadoras do Sindsaúde/RN, Sônia Godeiro, foi uma das vozes mais contundentes da assembleia. Ela afirmou que a criação da regional estava sendo conduzida sem o devido debate e classificou a iniciativa como um “golpe político”, defendendo que qualquer mudança estrutural deveria passar por ampla consulta aos trabalhadores.

Outro aspecto que chamou atenção foi a ausência de representantes de diversos municípios que compõem a área territorial da futura regional. Participantes contrários ao processo argumentaram que a falta de representação de parte significativa das cidades enfraquecia a legitimidade da assembleia e reforçava a necessidade de ampliar a discussão antes de qualquer deliberação.
A condução dos trabalhos também foi alvo de críticas. Trabalhadores afirmaram que encaminhamentos divergentes da proposta principal não receberam o mesmo espaço para discussão. Segundo os relatos, havia duas posições distintas em debate: uma que defendia a realização de um encontro regional para aprofundar a discussão sobre a criação da nova regional e outra que propunha a imediata formação da comissão eleitoral. Os opositores alegaram que a segunda proposta chegou pronta à assembleia, sem consulta prévia às bases sindicais.
Em diversos momentos houve interrupções, discussões acaloradas e reclamações sobre o controle do tempo de fala. Participantes acusaram a coordenação da mesa de limitar manifestações contrárias, interromper expositores e não permitir que todos os encaminhamentos fossem devidamente apreciados, o que contribuiu para elevar a tensão durante o encontro.
A insatisfação com a condução da assembleia levou uma parcela considerável dos presentes a deixar o auditório antes mesmo da votação final. Os trabalhadores que se retiraram alegaram não concordar com a forma como os trabalhos estavam sendo conduzidos, afirmando que houve cerceamento de falas e falta de disposição da mesa para considerar os argumentos e encaminhamentos apresentados pelos que defendiam o adiamento da decisão.

Segundo relatos de participantes, a mesa coordenadora manteve o foco na aprovação da comissão eleitoral e não demonstrou abertura para acolher a proposta de aprofundar o debate em um encontro regional mais amplo. Para esse grupo, as opiniões divergentes não receberam o mesmo tratamento dispensado às manifestações favoráveis à criação da nova regional.
O episódio evidenciou um ambiente de forte polarização entre os trabalhadores presentes. Enquanto os defensores da proposta comemoraram o avanço do processo de criação da 7ª Regional, os opositores deixaram o local denunciando falta de diálogo, desrespeito às posições divergentes e condução considerada antidemocrática.
Apesar das críticas, dos questionamentos apresentados durante a assembleia, da retirada de parte do plenário e das acusações relacionadas à condução dos trabalhos, a comissão eleitoral foi aprovada e ficará responsável por conduzir os próximos passos do processo de criação da 7ª Regional do Sindsaúde/RN, com sede em Currais Novos.