A recente morte de um recém-nascido com apenas 30 dias de vida reacendeu o debate sobre as condições do atendimento pediátrico na região do Seridó. A falta de estrutura e a precariedade no atendimento às crianças foram denunciadas por José Joaquim Sobrinho, representante da Regional Seridó do SindSaúde, durante entrevista nesta quarta-feira (26) ao Sistema Rural de Comunicação.
Segundo Joaquim, a situação da pediatria na região tem se agravado. Atualmente, o Hospital Regional do Seridó conta com apenas dois leitos infantis, que não são suficientes para atender a demanda dos 25 municípios da região. Além disso, casos graves são atendidos na Ala Vermelha, onde adultos e crianças dividem o mesmo espaço, cenário considerado inapropriado para um atendimento pediátrico adequado.
“Esta semana, vi uma criança de três dias de vida sendo internada no setor de eletrocardiograma por falta de espaço adequado. A enfermagem precisou improvisar para que o bebê não ficasse sem atendimento. É um absurdo que a gestão do hospital sequer tenha conhecimento dessas situações”, afirmou Joaquim.
Além da insuficiência de leitos, a falta de uma UTI neonatal em Caicó voltou a ser discutida como um problema urgente. Segundo Joaquim, a unidade já deveria estar funcionando há anos, mas até hoje não há equipamentos operacionais nem equipe técnica treinada para atender casos críticos.
“A UTI neonatal sempre foi uma promessa, mas falta vontade política para colocá-la em funcionamento. Não adianta apenas ter o equipamento se não há profissionais treinados para lidar com emergências neonatais. Hoje, os servidores do hospital relatam que nunca receberam capacitação adequada para atuar em casos pediátricos graves,” denunciou.
A situação precária tem gerado indignação entre os pais de crianças internadas, que enfrentam longas esperas e falta de suporte adequado. Uma mãe relatou ter esperado atendimento para seu bebê recém-nascido das 21h até 1h da madrugada sem solução.
Diante desse cenário alarmante, Joaquim fez um apelo às autoridades estaduais: “A governadora Fátima Bezerra e o novo secretário de Saúde precisam olhar urgentemente para essa situação. As crianças do Seridó estão sofrendo com um sistema de saúde precário, e a população não pode continuar pagando caro sem ter acesso ao básico.”
A comunidade aguarda medidas concretas para melhorar o atendimento pediátrico na região e garantir que tragédias como a da última semana não se repitam.